7.9.09

Certidão de Nascimento

Controvertido e incerto é o tema quanto a data de "descobrimento" do Cariri. Há várias teorias e poucas provas. Mas como não estamos em um tribunal, tais provas não farão tanta diferença assim.

Certo mesmo é que a região, verdadeiro oásis cercado pelo sertão semi-árido nordestino era ocupado por considerável população indígena, formada principalmente pelos índios Karyris, que inclusive deram nome à região. Quando partimos, porém, para o exame da chegada dos colonizadores, a água cristalina fica turva.

O primeiro grande debate está relacionado a como os desbravadores chegaram. A maioria acredita que chegaram pelo leste, vindos da Paraíba. Tal teoria é reforçada pelo fato da Chapada do Araripe ser grande obstáculo à chegada dos colonizadores vindos do sul, ou seja, do Pernambuco (conforme visto no mapa). Em Efemérides do Cariri, porém, Irineu Pinheiro defende que a região plana que predomina no alto do planalto não consistiu em tão grande entrave para diminuir a curiosidade e vontade daqueles que ávidos por terras ricas e minerais preciosos se dispunham a ir a lugares tão longe dos grandes centros daquela época. Observando, contudo, que as primeiras sesmarias foram doadas vindo do que hoje é Missão Velha, em direção ao atual território Crato, na minha opinião é caso claro de Leste 1 x 0 Sul, final de jogo.

Há ainda quem atribua a descoberta dessa região naturalmente abençoada pela Casa da Torre dos Garcia d’Ávila. Mais uma vez, estamos diante de pequenos comentários orais passados de geração em geração que afirmam ter visto os símbolos daquela grande holding do negócio colonial brasileiro nos primórdios da ocupação Caririense. Não há contudo documentos escritos, e isso inclui nenhuma concessão de sesmarias aos representantes da Casa da Torre das terras desse torrão. Acho então que é ponto para o "pequeno empreendedor".

Depois do "como" e parte do "quem", resta o "quando". Duas teorias: a) os colonizadores chegaram aqui em algum ponto do final do século XVII; b) a "civilização" chegou aqui só depois de 1702, data em que foi concedida a primeira sesmaria. Ouso aqui dizer que a dúvida é boba. Dois motivos sustentam meu parecer. Primeiro não há lógica em se pedir a concessão de "registros de imóveis" antes de conhecer o terreno. Segundo, e mais importante (já que lógica portuguesa não é bem meu forte, ou lógica o forte deles), o documento oficial emitido pelo capitão-mor Francisco Gil Ribeiro a Gil de Miranda e Antônio Mendes Lobato informava os limites da sesmaria. Para amenizar a situação, porém, podemos supor que o colonizador passou por aqui ainda no século XVII, mas a partir de 1702 passou a se fixar por essas bandas.

Mas se querem uma data certa para cantar "parabéns pra você", podem usar o dia 28 de fevereiro de 1702. E foi Cachoeira, ou Missão Velha, o "onde". Ao longo do tempo, muitas outras sesmarias foram sendo concedidas, e por incrível que possa parecer a alguns, essa canto que hoje exporta gente para os quatro cantos do mundo, foi importante centro de atração de imigrantes. Com isso vieram as vilas e municípios, que serão tratados posteriormente.

E é assim, em meio a tantas incertezas que teve início a construção do atual Cariri, talvez tão incerto quanto o nosso futuro. Até breve.

Bibliografia:
* PINHEIRO, Irineu. Efemérides do Cariri. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1963.

Willian II

1.9.09

O Pacto dos Coronéis


Em 1911, a oligarquia Accioly dava sinais de declínio e as constantes disputas internas enfraqueciam ainda mais o bloco coronelista. Então, em 04 de outubro de 1911, líderes políticos de dezessete localidades do interior cearense se reuniram em Juazeiro para firmar um pacto de harmonia entre si e apoio incondicional a Nogueira Accioly (ao lado).

Estiveram presentes na reunião e assinaram o pacto, que foi posteriormente registrado em cartório, os líderes políticos de Missão Velha, Crato, Juazeiro, Araripe, Jardim, Santana do Cariri, Assaré, Várzea Alegre, Campos Sales, São Pedro do Cariri (Caririaçu), Aurora, Milagres, Porteiras, Lavras da Mangabeira, Barbalha, Quixadá e Brejo Santo.

Tal acordo é considerado um dos acontecimentos mais importantes do coronelismo brasileiro, mas não cumpriu os objetivos que pretendia, visto que alguns meses depois Franco Rabelo assumiu o cargo de Presidente do Ceará (atualmente chamado Governador), sem que os signatários do pacto reagissem. Além do mais, em 1914, quando Franco Rabelo decidiu invadir Juazeiro, os demais pactuantes não ajudaram a defender a cidade como estava previsto no artigo 8º do pacto, pelo contrário, algumas entraram em confronto com Juazeiro como, por exemplo, Crato.

Dessa maneira, o fracassado acordo serviu apenas como marco histórico para demonstrar as ambíguas relações de poder daquela época.

Eis o “Pacto dos Coronéis” em sua íntegra:

Aos quatro dias do mês de outubro do ano de mil novecentos e onze, nesta vila de Juazeiro do Padre Cícero, Município do mesmo nome, Estado do Ceará, no paço da Câmara Municipal, compareceram à uma hora da tarde os seguintes chefes políticos: Coronel Antônio Joaquim de Santana, chefe do Município de Missão Velha; Coronel Antônio Luís Alves Pequeno, chefe do Município do Crato; Reverendo Padre Cícero Romão Batista, chefe do Município do Juazeiro; Coronel Pedro Silvino de Alencar, chefe do Município de Araripe; Coronel Romão Pereira Filgueira Sampaio, chefe do Município de Jardim; Coronel Roque Pereira de Alencar, chefe do Município de Santana do Cariri; Coronel Antônio Mendes Bezerra, chefe do Município de Assaré; Coronel Antônio Correia Lima, chefe do Município de Várzea Alegre; Coronel Raimundo Bento de Sousa Baleco, chefe do Município de Campos Sales; Reverendo Padre Augusto Barbosa de Meneses, chefe do Município de São Pedro de Cariri; Coronel Cândido Ribeiro Campos, chefe do Município de Aurora; Coronel Domingos Leite Furtado, chefe do Município de Milagres, representado pelos ilustres cidadãos Coronel Manuel Furtado de Figueiredo e Major José Inácio de Sousa; Coronel Raimundo Cardoso dos Santos, chefe do Município de Porteiras, representado pelo Reverendo Padre Cícero Romão Batista; Coronel Gustavo Augusto de Lima, chefe do Município de Lavras, representado por seu filho, João Augusto de Lima; Coronel João Raimundo de Macedo, chefe do Município de Barbalha, representado por seu filho, Major José Raimundo de Macedo, e pelo juiz de direito daquela comarca, Dr. Arnulfo Lins e Silva; Coronel Joaquim Fernandes de Oliveira, chefe do Município de Quixadá, representado pelo ilustre cidadão major José Alves Pimentel; e o Coronel Manuel Inácio de Lucena, chefe do Município de Brejo dos Santos, representado pelo Coronel Joaquim de Santana.A convite deste, que, assumindo a presidência da magna sessão, logo deixou, ocupou-a o Reverendo Padre Cícero Romão Batista, para em seu nome declarar o motivo que aqui os reunia. Ocupada a presidência pelo Reverendo Padre Cícero, fora chamado o Major Pedro da Costa Nogueira, tabelião e escrivão da cidade de Milagres, que também se achava presente. Declarou o presidente que, aceitando a honrosa incumbência confiada pelo seu prezado e prestigioso amigo Coronel Antônio Joaquim de Santana, chefe de Missão Velha, e traduzindo os sentimentos altamente patrióticos do egrégio chefe político, Excelentíssimo Senhor Doutor Antônio Pinto Nogueira Acioli, que sentia d'alma as discórdias existentes entre alguns chefes políticos desta zona, propunha que, para desaparecer por completo esta hostilidade pessoal, se estabelecesse definitivamente uma solidariedade política entre todos, a bem da organização do partido, os adversários se reconciliassem e ao mesmo tempo lavrassem todos um pacto de harmonia política. Disse mais que, para que ficasse gravado este grande feito na consciência de todos e de cada um de per si, apresentava e submetia à discussão e aprovação subseqüente os seguintes artigos de fé política: Art. 1° Nenhum chefe protegerá criminosos do seu município nem dará apoio nem guarida aos dos municípios vizinhos, devendo pelo contrário ajudar a captura destes, de acordo com a moral e o direito. Art. 2° Nenhum chefe procurará depor outro chefe, seja qual for a hipótese. Art. 3° Havendo em qualquer dos municípios reações, ou, mesmo, tentativas contra o chefe oficialmente reconhecido com o fim de depô-lo, ou de desprestigiá-lo, nenhum dos chefes dos outros municípios intervirá nem consentirá que os seus municípios intervenham ajudando direta ou indiretamente os autores da reação. Art. 4° Em casos tais só poderá intervir por ordem do Governo para manter o chefe e nunca para depor. Art. 5° Toda e qualquer contrariedade ou desinteligência entre os chefes presentes será resolvida amigavelmente por um acordo, mas nunca por um acordo de tal ordem, cujo resultado seja a deposição, a perda de autoridade ou de autonomia de um deles. Art. 6° E nessa hipótese, quando não puderem resolver pelo fato de igualdade de votos de duas opiniões, ouvir-se-á o Governo, cuja ordem e decisão será respeitada e estritamente obedecida. Art. 7° Cada chefe, a bem da ordem e da moral política, terminará por completo a proteção a cangaceiros, não podendo protegê-los e nem consentir que os seus munícipes, seja sob que pretexto for, os protejam dando-lhes guarida e apoio. Art. 8° Manterão todos os chefes aqui presentes inquebrantável solidariedade não só pessoal como política, de modo que haja harmonia de vistas entre todos, sendo em qualquer emergência "um por todos e todos por um", salvo em caso de desvio da disciplina partidária, quando algum dos chefes entenda de colocar-se contra a opinião e ordem do chefe do partido, o Excelentíssimo Doutor Antônio Pinto Nogueira Acioli. Nessa última hipótese, cumpre ouvirem e cumprirem as ordens do Governo e secundarem-no nos seus esforços para manter intacta a disciplina partidária. Art. 9° Manterão todos os chefes incondicional solidariedade com o Excelentíssimo Doutor Antônio Pinto Nogueira Acioli, nosso honrado chefe, e como políticos disciplinados obedecerão incondicionalmente suas ordens e determinações. Submetidos a votos, foram todos os referidos artigos aprovados, propondo unanimemente todos que ficassem logo em vigor desde essa ocasião.Depois de aprovados, o Padre Cícero levantando-se declarou que, sendo de alto alcance o pacto estabelecido, propunha que fosse lavrado no Livro de Atas desta municipalidade todo o ocorrido, para por todos os chefes ser assinado, e que se extraísse uma cópia da referida ata para ser registrada nos livros das municipalidades vizinhas, bem como para ser remetida ao Doutor Presidente do Estado, que deverá ficar ciente de todas as resoluções tomadas, o que foi feito por aprovação de todos e por todos assinado.Eu, Pedro da Costa Nogueira, secretário, a escrevi.Padre Cícero Romão Batista - Antônio Luís Alves Pequeno - Antônio Joaquim de Santana - Pedro Silvino de Alencar - Romão Pereira Filgueira Sampaio - Roque Pereira de Alencar - Antônio Mendes Bezerra - Antônio Correia Lima - Raimundo Bento de Sousa Baleco - Padre Augusto Barbosa de Meneses - Cândido de Ribeiro Campos - Manuel Furtado de Figueiredo - José Inácio de Sousa - João Augusto de Lima - Arnulfo Lins e Silva - José Raimundo de Macedo - José Alves Pimentel.

Bibliografia
* MACEDO, Joaryvar. Império do Bacamarte: uma abordagem sobre o Coronelismo no Cariri. 2 ed. Fortaleza: UFC, 1990.
* MATIAS, Aurélio. O Poder Político Em Juazeiro Do Norte – Mudanças e Permanências – as Eleições de 2000. Juazeiro do Norte: Gráfica Nobre, 2008.

Micael François

24.8.09

O Berço dos Coronéis


Ainda hoje o Cariri Cearense, é considerando um oásis no meio do sertão nordestino. Imagine quão rica era a biodiversidade nos tempos em que os primeiros frades fundaram a Missão do Miranda? Neste cenário, os colonizadores acharam condições propícias para o cultivo de cana-de-açúcar. Os engenhos de rapadura, bem como a criação de gado foram então as bases do desenvolvimento econômico da região, mas isso é cena dos próximos episódios.

Importante, porém, é constatar que por estes motivos, eram os senhores de engenho e criadores de gado os mandatários políticos do sul do Ceará naqueles tempos. Eram verdadeiros Barões da época feudal europeia. Homens geralmente de pouca instrução e adeptos ferrenhos dos costumes patriarcais da época.

A Igreja Católica sempre guardou sua reserva de poder. Quando não eram os próprios padres que detinham o poder econômico e político, sempre havia nas fazendas capelas e igrejas.

Não eram raros conflitos entre os detentores do poder. Assassinatos, roubos, pilhagens eram na verdade muito comuns em nossa região. Por isso, desde cedo uma voz falava mais alto que as outras no Cariri: “o Bacamarte”. Desde cedo, os nossos senhores feudais recorreram aos “cabras bons” para manter ou expandir os seus domínios. Isso é a base de um grande sentimento partidarista que dura até hoje. Delegados, promotores e juízes sempre foram coagidos pelos poderosos a aplicar a máxima “aos meus inimigos a lei, aos meus amigos a cumplicidade”.

Neste sentido interessante conhecer o relato de Gardner feito em 1838:

Os habitantes desta parte da província, geralmente conhecidos pelo cognome cariris, são famigerados no país por sua rebeldia às leis. Aqui foi e até certo ponto ainda é, embora em menor extensão, um esconderijo de assassinos e vagabundos de toda a espécie, vindos de todos os cantos do país. Embora haja um juiz de paz, um juiz de direito e outros representantes da lei, seu poder é muito limitado e, ainda assim, quando o exercem, correm o risco de tombar sob a faca do assassino.

Como já foi afirmado, esse banditismo era acoitado pelos mandatários políticos daqueles tempos. Neste sentido, vale a pena ver este trecho do Jornal "O Araripe" de 23 de fevereiro de 1960:

Aqui, um bando de salteadores, cobertos de armas veio fazer-se árbitro da vida e da fortuna dos cidadãos, ensangüentou a terra com bárbaras hecatombes humanas, levou o terror ao coração do mais resoluto; mas esses bárbaros não eram dos nossos. Nós éramos antes as primeiras vítimas votadas ao seu favor, e eles, os terríveis – Serenos – os apaniguados da polícia, que mimoseavam os senhores do dia, compareciam armados às orgias das autoridades, e pousavam os lábios impuros na mesma taça em que, entre brincos e alegrias, eles sorviam a cachaça, a grandes tragos! E quando eram um dia perseguidos por um militar valente e resoluto, que não podia curvar-se à imoralidade em triunfo, era da casa do chefe do partido saquarema que os bandidos saíam para as masmorras; eram o chefe dessa polícia quem se constituía o seu patrono, o seu amigo, o seu desvelado benfeitor.

Dentre muitos cangaceiros que exerciam o verdadeiro poder militar na região, alguns deles tornaram-se celebridades, entre eles podemos apontar: Gato Brabo, Jesuíno Brilhante (xilografura ao lado), Inocêncio Vermelho, Zuza Ataíde. Além de grupos como os Serenos e Xios (que agiam no Crato), os Viriatos, Meireles e Calangros (de Missão Velha).

Vale lembrar, ainda, não como desculpa, mas como constatação, que, em tal realidade, era praticamente impossível manter-se no poder sem formar seu próprio exército de cangaceiros. Logo, ser coiteiro, não era opção. Mandava quem tinha a melhor armada de “cabras bons”. E aqui cabe o dito popular que a diferença entre “Cabras” e “cobras” era só o “o”.

No período da Monarquia, com a divisão dos Senhores de engenho entre os partidos Liberal e Conservador, as disputas locais foram ainda mais acirradas, e o Cariri foi palco de verdadeiras guerras civis. Com exemplo o malogrado movimento que aconteceu no Crato em 1842 para derrubar do poder José Joaquim Coelho, por líderes oposicionistas. O movimento falhou por falta de recursos dos rebeldes.

Outro exemplo está bem claro nas palavras de Joaryavar Macedo:

Grande agitação reinou na região, dos fins de 1831 ao decorrer de 1832, quando se desenvolvera a guerra civil absolutistas, chefiada por Joaquim Pinto Madeira e mentoreada pelo vigário de Jardim, cônego Antônio Manuel de Sousa. As diversas escaramuças cruentas, entre os rebeldes e as forças legalistas trouxeram todo o vale em polvorosa, abrindo sulcos profundos no seio da coletividade caririense.

Toda esta agitação serviu de matéria prima para, com o advento da República, se consolidarem no poder os Coronéis, novo nome atribuído aos velhos senhores de engenho.

Bibliografia
* MACEDO, Joaryvar. Império do Bacamarte: uma abordagem sobre o Coronelismo no Cariri. 2 ed. Fortaleza: UFC, 1990.

Willian II

19.8.09

Acordar Histórico

Após longo período de hibernação, intercalado por tentativas de reação, O Rodapé ressurge light, mas com novo projeto pretensioso. Vamos nos dedicar ao estudo da História de nossa região.

Infelizmente, a real História do Cariri Cearense é mantida no anonimato, guardada por pequenos heróis da resistência, cada vez mais raros. A bibliografia é rara, esparsa e pouco divulgada. Mas nós, iremos procurar nos empenhar o máximo nos próximos meses a trazer à tona muitos dos fatos que foram decisivos no desenvolvimento desse taco de terra tão amado.

Nossa história é marcada por fatos, muitos deles heróicos, como foi a proclamação da República Brasileira em 1817. Muitos outros foram vergonhosos, como o etnocídio aos Karirys. Mas cada um desses fatos construíram quem somos e devem ser relatados. Motivos de orgulho para gritarmos ao mundo “eu sou cearense, do Cariri”, ou lições para não repetirmos os erros de nossos antepassados.

Não por acaso somos um Juazeirense e um Cratense, legítimos Caririzeiros. Não adianta fazer falsas promessas, seremos parciais, como é a história. Mas tomamos cuidados pra manter o equilíbrio. Seremos fiéis aos dados que conseguirmos, mas sempre que pudermos, haverá nossos comentários, quem sabe ressurja até aquela veia cômico-irônica que era tão presente em 2005.

Não será seguido um roteiro fixo no tempo. Infelizmente não temos tempo e logística suficiente para tal. Mas, quem sabe, e este é o nosso desejo, a idéia prospere, e possamos publicar tais artigos em formatos mais audaciosos.

Precisamos, contudo, da ajuda de cada um de vocês, leitores. Critiquem, elogiem, deem sugestões de temas, ou digam pelo menos que leram, pois isso nos motivará a escrever mais e melhor.

Micael François
Willian II

25.6.09

Ronda do Quarteirão Se Expande


A principal promessa de campanha de Cid Gomes, o projeto Ronda do Quarteirão foi alvo de muitas críticas e desconfianças, inclusive por parte deste autor. Entretanto, após sua implantação na capital do estado, o resultado foi positivo, tendo em vista a redução da taxa de criminalidade. Depois de abranger por completo os municípios de Fortaleza, Caucaia e Maracanaú, o Ronda será expandido para outras cidades do interior, sendo Sobral e Juazeiro do Norte contempladas ainda esse mês.

A polícia comunitária, como também é chamada a equipe do Ronda, chega à terra de padre Cícero em um momento crítico, visto que o número de assaltos e homicídios é bastante elevado. Com o reforço do Ronda, a expectativa é de que essas temidas estatísticas sejam reduzidas, pois como se sabe, a melhor tática de segurança é a prevenção, motivo pelo qual os policiais devem ficar nas ruas, não no quartel.

O único problema é alguém querer cometer um crime só para poder andar de "bichona", como são conhecidos os veículos Hilux do Ronda...

19.6.09

Buscas por Petróleo no Cariri

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, está na cidade do Crato para anunciar oficialmente o início de pesquisas na Bacia do Araripe em busca de petróleo. A decisão ocorre após estudos preliminares feitos pela Petrobrás em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

É grande a expectativa para que poços petrolíferos sejam descobertos na região, principalmente porque a estrutura sedimentar da Bacia do Araripe é semelhante à da cidade paraibana de Sousa, onde também foi descoberto petróleo há alguns anos.

Se as expectativas da ANP se concretizarem, algumas cidades da região do Cariri terão um substancial aumento de verbas, tendo em vista os royalties pagos pela Petrobrás. Entretanto, é importante atentar para a questão ambiental, pois alguns pontos da área da Chapada do Araripe estão bastante degradados, sendo imperioso buscar a extração com o menor impacto ambiental possível.

16.6.09

Dossiê das Organizadas - Parte Final

Depois de três artigos criticando as torcidas organizadas, a solução óbvia seria extinguir tais grupos. Entretanto a simples extinção de nada adiantaria, pois os vândalos continuarim frequentando os estádios em grupo. Além disso, não seria justo privar o torcedor pacífico de se reunir para incentivar a equipe. Então qual a melhor saída?

Na Europa, a violência nos estádios foi contida graças à identificação dos vândalos, que foram presos, processados e proibidos de frequentar as arenas esportivas. É esse, também, o entendimento do Promotor de Justiça Fernando Capez, um dos maiores combatentes da violência das torcidas organizadas. Em entrevista concedida à revista "Leis & Letras", Capez argumenta que "é importante que se faça um trabalho de investigação, com identificação das pessoas pelas câmeras de televisão, para que sejam processadas. E que seja feito um acompanhamento do clássico, no dia, por policiais velados, eu diria, descaracterizados, não uniformizados, infiltrados nas torcidas, a fim de que possam efetuar prisões. Eu acho que um acompanhamento por policiamento descaracterizado, e algumas prisões exemplares, são suficientes, porque certamente é um grupo minoritário de agitadores."

Vale lembrar que o Estatuto do Torcedor prevê a instalação de câmeras nos estádios, justamente para identificar vândalos, mas são raras as arenas que cumprem tal determinação...

Quanto à punição, não seria conveniente prender tais agitadores por dois motivos: I) As cadeias brasileiras estão superlotadas; II) Colocar em uma mesma cela um indivíduo que briga com torcedor de outro time ou que arremessa latas no campo, e um homicida ou estuprador poderia gerar danos ainda maiores.

Portanto, após a devida identificação, os torcedores mal-intencionado devem ser indiciados em processo criminal, mas devem ser punidos com sanções educativas, prestação de serviços à sociedade e proibição de frequentar estádios por um determinado período. A prisão só deve ser determinada excepcionalmente, caso o indiciado já responda a outros processos criminais ou, ao ser autorizado a retornar aos estádios, volte a se envolver em confusões.

9.6.09

A Copa do Mundo é Nossa


Em 2014, após sessenta e quatro anos, o Brasil volta a sediar a Copa do Mundo de futebol, o maior evento do gênero e o segundo maior evento esportivo do mundo, atrás apenas das Olimpíadas. Os brasileiros, apaixonados por futebol, festejaram o anúncio, entretanto, como não poderia deixar de acontecer, surgiram críticas de que tudo não passa da velha tática populista panis et circensis (pão e circo), e que tal evento só servirá para despediçar dinheiro público. Afinal, a Copa será boa ou ruim para o Brasil?

Em primeiro lugar, cabe destacar que se os políticos brasileiros demonstrassem em outras áreas como saúde e educação, o mesmo empenho empreendido para realizar a Copa do Mundo, o Brasil teria indicadores socio-econômicos bem melhores do que os atuais. No entanto, isso não é motivo para reprovar a realização da Copa do Mundo, pelo contrário, o evento trará grandes benefícios para o país.

A Fédération Internationale de Football Association (FIFA), exige, além de estádios modernos, boas condições de transporte, comunicação e hospedagem. Este último não será problema uma vez que o país possui excelentes hotéis. Quanto aos setores de transporte e comunicações, serão necessários vários investimentos. É verdade que tais melhorias serão feitas para a Copa do Mundo, mas é de se ressaltar que o torneio dura apenas um mês, enquanto a infra-estrutura montada permanecerá, beneficiando, assim, a população. Outro fator importante será o incremento no turismo. Cidadãos de todas as partes do planeta virão ao Brasil para acompanhar os jogos, aquecendo a economia do país.

Quanto aos estádios, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), deixou claro desde o início dos preparativos que os investimentos devem ser prioritariamente da iniciativa privada. De fato, nos doze projetos escolhidos, os recursos serão em sua maioria privados.

Dessa maneira, não resta dúvida de que a realização da Copa do Mundo no Brasil, a exemplo do que ocorreu em 1950, trará inúmeros benefícios para o país. Resta aos brasileiros fiscalizar os governantes para que não cometam estripulias e torcer para que não ocorra outro "maracanaço". Todos juntos vamos, pra frente Brasil, Brasil, salve a seleção!

27.5.09

Dossiê das Organizadas - Parte III


Dia 26 de maio de 2009, no Rio de Janeiro, membros de duas torcidas organizadas do Fluminense (Young Flu e Força Flu), invadiram o treino da equipe e agrediram o jogador Diguinho. Após a confusão, o técnico Carlos Alberto Parreira deu uma entrevista, claramente assustado, pedindo à diretoria da equipe um local distante e isolado para treinar.

É esse o conceito de torcer? Com torcedores assim, nenhuma equipe precisa de inimigos. Apoiar o time depois de uma vitória é fácil, mas é nos momentos difíceis que os jogadores precisam de apoio da torcida.

Parafraseando Glenda Kozlowski, apresentadora do Globo Esporte: "Até quando os times vão dar voz a esse tipo de torcedor?"

23.5.09

Operação Sorriso em Barbalha


De 25 a 28 de maio, médicos e odontólogos de várias partes do mundo estarão em Barbalha para realizar gratuitamente cirurgias reparadoras na região do palato. A iniciativa parte da Organização Não-Governamental Operation Smile, sediada nos Estados Unidos e presente em 54 países. Pelo terceiro ano consecultivo, o município de Barbalha é incluído na rota da Operação Sorriso.

20.5.09

Dossiê das Organizadas - Parte II

As torcidas organizadas se tornaram ambientes propícios para a infiltração de pessoas mal-intencionadas que buscam se esconder na multidão para praticar crimes e vandalismos. Em dias de jogos, são comuns depredações de veículos e pichações de prédios nos arredores de estádios.

Muitos membros de organizadas utilizam a paixão pelo clube como desculpa para brigar, não importando o resultado da partida, mas sim a humilhação da torcida adversária. Existem casos em que torcidas organizadas combinam previamente via internet o confronto entre os membros, duelos estes em que são usados paus, barras de ferro e até mesmo armas brancas e de fogo. Esse tipo de atitude ficou conhecido no país em, 2005 quando membros da Fúria Jovem do Botafogo combinaram pelo Orkut um confronto com a Torcida Uniformizada do Fortaleza, resultando na morte de dois "torcedores", sendo um de cada lado.

Para aumentar o poder destrutivo fora de seus estados de origem, as organizadas criam as chamadas alianças. Atualmente existem duas grandes alianças de torcidas organizadas no Brasil: "Dedo Pro Alto" e "Punho Cruzado", que por sinal são inimigas... Os nomes nada criativos são uma referência aos gestos usados para identificar os membros. Infelizmente muitos jogadores concorrem para o fortalecimento desses grupos fazendo esses gestos enquanto comemoram seus gols, conforme imagens acima onde Cristian faz o símbolo "Dedo Pro Alto" e Souza o "Punho Cruzado".

No Ceará, a "Dedo Pro Alto" é representada pela Cearamor. Existem outras alianças no estado, algumas delas inusitadas, por exemplo, Itajovem (Itapipoca), era aliada da Cearamor (Ceará), mas em 2007 aliou-se à Fúria Icasiana porque o Ceará se recusou a jogar em Itapipoca. Fúria Icasiana e Cearamor que antes eram inimigas, tornaram-se aliadas depois da aliança entre TUF (Fortaleza), e Guaraloucos/Jovens Leões do Mercado (Guarani de Juazeiro).

15.5.09

Juazeiro de Luto

Em 15 de maio de 2009, a cidade de Juazeiro do Norte se cobriu de negro. Não morreu nenhum filho ilustre do município, mas sim vários filhos anônimos. Cansados da crescente violência no município, os juazeirenses aderiram em peso ao protesto "Luto da Segurança Pública", organizado pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Sindicato dos Comerciários, Sindicato das Indústrias e Associação Comercial de Juazeiro.

Na ocasião, o vice-prefeito José Roberto Celestino disse que o protesto é importante "para que a cidade não se torne um império de bandidos". A população espera que o poder público atente para a segurança e tome medidas sérias de combate ao crime.

Basta!

Dossiê das Organizadas - Parte I

Em 1942, torcedores cariocas criaram a primeira torcida organizada do Brasil, a "Charanga do Flamengo", com o objetivo de incentivar a equipe com músicas. Entre os anos 80 e 90, as torcidas organizadas se multiplicaram por todo o país, entretanto muitas não se espelharam na pacífica Charanga, mas sim nos vândalos hooligans europeus.

Muitos torcedores ditos organizados, vão ao estádio determinados a brigar, pouco importando o resultado da partida. A população brasileira se acostumou a ver entre os melhores momentos de uma partida e outra, cenas de barbárie nas arquibancadas e imediações dos estádios.

Com raras exceções, como e ninguém cala, esse nosso amor, e é por isso que eu canto assim é por ti fogo da "Loucos Pelo Botafogo" e eu sempre te amarei, onde estiver estarei, oh meu mengão da "Jovem Fla", o que se houve nos estádios brasileiros são palavrões impublicáveis neste blog, provocações e apologia a violência.

O desvirtuamento das torcidas também pode ser notado nos seus escudos e logomarcas, pois os amigáveis mascotes dos clubes são representados como verdadeiros monstros mal encarados, como na imagem ao lado.

As torcidas organizadas crescem de tal maneira que em alguns casos a organizada se confunde com o próprio clube, como, por exemplo, Corinthians e Gaviões da Fiel, Fortaleza e Leões da TUF, Ceará e Cearamor... Aliás, quando há um "Clássico Rei" (como é conhecido o jogo entre Fortaleza e Ceará), as camisas das organizadas representam a maioria esmagadora do estádio, esse fato, aliado às brigas e aos gritos de guerra que só se preocupam em provocar o adversário, dá a impressão que a disputa está nas arquibancadas, para saber qual torcida tem os integrantes mais barulhentos e fortes.

A tese da extinção das torcidas organizadas é defendida por muitos, inclusive pelo renomado jurista Fernando Capez. Mas a simples proibição de nada adiantará. O poder público precisa fazer o mesmo que foi feito na Europa com os hooligans, identificar os vândalos e puni-los com a proibição de ir a estádios e a imputação de prestação de serviços a comunidade.

9.5.09

Papo Aberto - Mundo Diz Estamos em Crise, Lula Diz Relaxem e...

O Papo Aberto de abril teve participação recorde (negativo), três pessoas participaram! Os três mosqueteiros trataram como infelizes as frases de Lula de que a crise "é só uma marolinha" e que os responsáveis são "os brancos de olhos azuis", mas reconhecem que o Governo tomou boas medidas e que a crise não causou grandes estragos no Brasil.

23.4.09

O Dilema do STF


Ontem, os brasileiros assistiram boquiabertos o bate-boca entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, membros da mais alta corte judicial do país. O ponto alto ocorreu com a afirmação do ministro Joaquim Barbosa de que Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), estava destruindo a imagem da Justiça brasileira. Seria chocante, se não fosse verdade...

Quando Montesquieu concebeu a teoria da separação dos poderes, o fez objetivando dinamizar a administração do Estado. No Brasil, durante muito tempo, a separação dos poderes não passava de alegoria, visto que o Executivo suprimia os demais. Com a redemocratização, os juízes finalmente tiveram liberdade para exercer suas funções, entretanto o mesmo não ocorreu com o STF, isto porque seus membros ainda hoje são indicados pelo Presidente da República, transformando o Supremo em uma corte política.

Poucos ministros do STF tiveram coragem de se desvincular do Executivo. Joaquim Barbosa foi um deles. O Supremo precisa de credibilidade e para conquistá-la, terá de esquecer de uma vez por todas as práticas do clientelismo.

Papel

21.4.09

A morte do Mártir


Há duzentos e vinte sete anos um brasileiro morreu, neste mesmo momento nasceu um mártir, um dos poucos verdadeiros heróis da história brasileira e sem dúvida o mais conhecido. Mas tanto tempo depois, faz mesmo sentido dedicar um feriado nacional à memória de Tiradentes?

Tiradentes era apenas apelido de Joaquim José da Silva Xavier, célebre arrancador de dentes do Brasil Colônia, mas não foi sua profissão que o imortalizou por mais medo que as pessoas pudessem ter de ir ao seu consultório... “José da Silva” é, ou deveria ser comemorado por ter sido um exemplo da luta do povo brasileiro contra a opressão de um governo corrupto comandado por uma superpotência que explorava legalmente nossas riquezas naturais.

A gota d’água para “José da Silva” e seus companheiros (a grande maioria de pessoas mais ricas e que ele) foi que Portugal instituiu um imposto chamado de “Quinto” pelo qual 20% de todo o ouro encontrado no país deveria ser entregue a nossa metrópole.

Sim, meus amigos, foi o peso no bolso que incomodou a sociedade e que deu origem a um dos mais famosos movimentos libertários brasileiros, a Inconfidência Mineira. Portugal venceu os revoltosos, os líderes do movimento foram expulsos do país, presos, torturados... Mas isso não bastou para “José da Silva”, sem a proteção da riqueza, ou de um título nobiliárquico, só restou a morte como forma de punição.

E hoje? Hoje comemoramos o que mesmo? Ah, a morte de Tiradentes... Oba, Tiradentes morreu, viva Portugal.

Eu penso diferente, deveríamos comemorar hoje a coragem de nosso povo. Mas que coragem? Vivemos em tempos em que o preço daquilo que compramos tem entre 40% e 60% de imposto. Mendigamos por diminuições esporádicas e corremos às lojas de carros e eletrodomésticos para nos darmos bem com a redução do IPI.

O que mais dói é que não sabemos nem pra onde vai esse dinheiro. Quase nenhum dos serviços públicos a exemplo da saúde, educação, segurança são considerado de qualidade. Ao mesmo tempo nossos líderes democráticos viajam pra Nova York e Paris com suas famílias sem tirar a mão do bolso. “Pobrezinhos passaram tanto desconforto pegando o avião da madrugada pra juntar esse dinheirinho”. “E quem é você pra falar alguma coisa? Isso é tudo regulado por lei, está dentro dos limites das normas!”.

É... Acho que cada ano que passa comemoramos cada vez mais a Morte de Tiradentes um dos tantos José da Silva morto por um regime injusto. Cada vez que nos calamos e que nos contentamos com as migalhas jogamos mais uma pá de cal na cova do dentista.

Herói, aceite meus humildes votos de agradecimento.

Justiniano

4.4.09

Papo Aberto - Efeito Estufa


O tema do aquecimento global parece ter tomado conta da comunidade de "O Rodapé" no Orkut, visto que tivemos discussões por demais calorosas.

Os participantes se dividiram em três correntes:

1) O efeito estufa é provocado pela ação antrópica, é um problema sério e o ser humano tem que tomar medidas drásticas e urgentes;

2) O efeito estufa é um fenômeno natural, mas que está sendo potencializado pelas ações humanas. O ser humano tem a obrigação de agir de forma menos nociva, mas não precisa radicalizar, por exemplo, não é preciso fechar todas as indústrias para que lançem menos gases, basta utilizar catalisadores;

3) O efeito estufa é um fenômeno natural. Não importa o que homem faça ele vai acontecer, pois o clima na Terra também depende de fatores extra-terrestres, como, por exemplo, as tempestades solares.

26.3.09

Padre Cícero: Patriarca de Juazeiro



No último dia 24, a cidade de Juazeiro do Norte comemorou o aniversário de seu fundador, Cícero Romão Batista. Durante sua vida eclesiástica e política, Padre Cícero despertou diferentes opiniões, para uns era santo e filantropo, para outros charlatão e coronel de batina.

Na época, ao analisar a transmutação da hóstia em sangue, os médicos Marcos Rodrigues Madeira e Ildefonso Correia Lima atestaram que "facto da ordem dos observados não podem ser explicados pelo jogo natural dos agentes naturaes". Entretanto, o Bispo Dom Joaquim suspendeu as ordens sacerdotais de Padre Cícero baseado no relatório do Monsenhor Alexandrino de Alencar que disse ser uma farsa.

Milagre ou não, o fato é que Padre Cícero foi o principal responsável pela fundação de Juazeiro e pelo seu desenvolvimento vertiginoso (em apenas 97 anos, Juazeiro se tornou maior e mais importante do que a vizinha Crato que conta com 244 anos). Ainda hoje o sacerdote contribui para o desenvolvimento da cidade, visto que milhões de romeiros aqui desembarcam todos os anos.

Papel

17.3.09

Aborto em Recife

O recente caso de aborto feito em uma menina recifense de nove anos causou repercussão em parte considerável do planeta. A criança gestante foi vítima de estupro por parte de seu padrasto e estava grávida de gêmeos. Tal fato deve ser analisado em três pontos de vista distintos: jurídico, religioso e moral.

De acordo com o Código Penal Brasileiro, não se pune o aborto praticado por médico quando não há outro meio de salvar a vida da gestante ou quando a gravidez é proveniente de estupro. Verificando-se um dos casos previstos em lei, o aborto é legal. Em Recife, além da violência sexual, a menina corria risco de morte se a gestação fosse adiante, portanto, os médicos e a família agiram amparados pela Justiça brasileira.

Indignado com o aborto realizado, o Arcebispo de Recife excomungou os envolvidos na operação e os familiares que com ela consentiram. Tal decisão se baseia nos dogmas da Igreja Católica que considera o aborto (pecado contra a vida), mais grave do que o estupro (pecado contra o semelhante).

Após os desdobramentos do fato, diversos jornais e institutos especializados de pesquisa realizaram enquetes no território nacional, sendo que em quase todas, o resultado apontou a população brasileira como favorável ao aborto. A moral é fruto do comportamento da sociedade. Os brasileiros, embora católicos em sua maioria, julgam o estupro como uma conduta mais violenta e repulsiva do que o aborto.

É de se ressaltar que se os médicos não tivessem agido rapidamente, provavelmente a gestante iria morrer, pois seu corpo não estava preparado para uma gravidez, ainda mais de gêmeos. Se o argumento da Igreja é a preservação da vida, a operação garantiu pelo menos uma.

Papel

7.3.09

Papo Aberto - Israel

Muitas opiniões, mas o mesmo raciocínio:

*Os judeus foram massacrados durante muito tempo por outros povos e hoje fazem o mesmo, massacram os palestinos;
*A criação do Estado de Israel foi um erro, pois incitou a rivalidade entre árabes e semitas;
*Os Estados Unidos patrocinam o massacre israelense;
*A ONU finge que não vê o que acontece na região;
*A única saída é a convivência harmônica das duas etnias no mesmo território.

Utopia? Esperamos que não...