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16.6.09

Dossiê das Organizadas - Parte Final

Depois de três artigos criticando as torcidas organizadas, a solução óbvia seria extinguir tais grupos. Entretanto a simples extinção de nada adiantaria, pois os vândalos continuarim frequentando os estádios em grupo. Além disso, não seria justo privar o torcedor pacífico de se reunir para incentivar a equipe. Então qual a melhor saída?

Na Europa, a violência nos estádios foi contida graças à identificação dos vândalos, que foram presos, processados e proibidos de frequentar as arenas esportivas. É esse, também, o entendimento do Promotor de Justiça Fernando Capez, um dos maiores combatentes da violência das torcidas organizadas. Em entrevista concedida à revista "Leis & Letras", Capez argumenta que "é importante que se faça um trabalho de investigação, com identificação das pessoas pelas câmeras de televisão, para que sejam processadas. E que seja feito um acompanhamento do clássico, no dia, por policiais velados, eu diria, descaracterizados, não uniformizados, infiltrados nas torcidas, a fim de que possam efetuar prisões. Eu acho que um acompanhamento por policiamento descaracterizado, e algumas prisões exemplares, são suficientes, porque certamente é um grupo minoritário de agitadores."

Vale lembrar que o Estatuto do Torcedor prevê a instalação de câmeras nos estádios, justamente para identificar vândalos, mas são raras as arenas que cumprem tal determinação...

Quanto à punição, não seria conveniente prender tais agitadores por dois motivos: I) As cadeias brasileiras estão superlotadas; II) Colocar em uma mesma cela um indivíduo que briga com torcedor de outro time ou que arremessa latas no campo, e um homicida ou estuprador poderia gerar danos ainda maiores.

Portanto, após a devida identificação, os torcedores mal-intencionado devem ser indiciados em processo criminal, mas devem ser punidos com sanções educativas, prestação de serviços à sociedade e proibição de frequentar estádios por um determinado período. A prisão só deve ser determinada excepcionalmente, caso o indiciado já responda a outros processos criminais ou, ao ser autorizado a retornar aos estádios, volte a se envolver em confusões.

27.5.09

Dossiê das Organizadas - Parte III


Dia 26 de maio de 2009, no Rio de Janeiro, membros de duas torcidas organizadas do Fluminense (Young Flu e Força Flu), invadiram o treino da equipe e agrediram o jogador Diguinho. Após a confusão, o técnico Carlos Alberto Parreira deu uma entrevista, claramente assustado, pedindo à diretoria da equipe um local distante e isolado para treinar.

É esse o conceito de torcer? Com torcedores assim, nenhuma equipe precisa de inimigos. Apoiar o time depois de uma vitória é fácil, mas é nos momentos difíceis que os jogadores precisam de apoio da torcida.

Parafraseando Glenda Kozlowski, apresentadora do Globo Esporte: "Até quando os times vão dar voz a esse tipo de torcedor?"

20.5.09

Dossiê das Organizadas - Parte II

As torcidas organizadas se tornaram ambientes propícios para a infiltração de pessoas mal-intencionadas que buscam se esconder na multidão para praticar crimes e vandalismos. Em dias de jogos, são comuns depredações de veículos e pichações de prédios nos arredores de estádios.

Muitos membros de organizadas utilizam a paixão pelo clube como desculpa para brigar, não importando o resultado da partida, mas sim a humilhação da torcida adversária. Existem casos em que torcidas organizadas combinam previamente via internet o confronto entre os membros, duelos estes em que são usados paus, barras de ferro e até mesmo armas brancas e de fogo. Esse tipo de atitude ficou conhecido no país em, 2005 quando membros da Fúria Jovem do Botafogo combinaram pelo Orkut um confronto com a Torcida Uniformizada do Fortaleza, resultando na morte de dois "torcedores", sendo um de cada lado.

Para aumentar o poder destrutivo fora de seus estados de origem, as organizadas criam as chamadas alianças. Atualmente existem duas grandes alianças de torcidas organizadas no Brasil: "Dedo Pro Alto" e "Punho Cruzado", que por sinal são inimigas... Os nomes nada criativos são uma referência aos gestos usados para identificar os membros. Infelizmente muitos jogadores concorrem para o fortalecimento desses grupos fazendo esses gestos enquanto comemoram seus gols, conforme imagens acima onde Cristian faz o símbolo "Dedo Pro Alto" e Souza o "Punho Cruzado".

No Ceará, a "Dedo Pro Alto" é representada pela Cearamor. Existem outras alianças no estado, algumas delas inusitadas, por exemplo, Itajovem (Itapipoca), era aliada da Cearamor (Ceará), mas em 2007 aliou-se à Fúria Icasiana porque o Ceará se recusou a jogar em Itapipoca. Fúria Icasiana e Cearamor que antes eram inimigas, tornaram-se aliadas depois da aliança entre TUF (Fortaleza), e Guaraloucos/Jovens Leões do Mercado (Guarani de Juazeiro).

15.5.09

Dossiê das Organizadas - Parte I

Em 1942, torcedores cariocas criaram a primeira torcida organizada do Brasil, a "Charanga do Flamengo", com o objetivo de incentivar a equipe com músicas. Entre os anos 80 e 90, as torcidas organizadas se multiplicaram por todo o país, entretanto muitas não se espelharam na pacífica Charanga, mas sim nos vândalos hooligans europeus.

Muitos torcedores ditos organizados, vão ao estádio determinados a brigar, pouco importando o resultado da partida. A população brasileira se acostumou a ver entre os melhores momentos de uma partida e outra, cenas de barbárie nas arquibancadas e imediações dos estádios.

Com raras exceções, como e ninguém cala, esse nosso amor, e é por isso que eu canto assim é por ti fogo da "Loucos Pelo Botafogo" e eu sempre te amarei, onde estiver estarei, oh meu mengão da "Jovem Fla", o que se houve nos estádios brasileiros são palavrões impublicáveis neste blog, provocações e apologia a violência.

O desvirtuamento das torcidas também pode ser notado nos seus escudos e logomarcas, pois os amigáveis mascotes dos clubes são representados como verdadeiros monstros mal encarados, como na imagem ao lado.

As torcidas organizadas crescem de tal maneira que em alguns casos a organizada se confunde com o próprio clube, como, por exemplo, Corinthians e Gaviões da Fiel, Fortaleza e Leões da TUF, Ceará e Cearamor... Aliás, quando há um "Clássico Rei" (como é conhecido o jogo entre Fortaleza e Ceará), as camisas das organizadas representam a maioria esmagadora do estádio, esse fato, aliado às brigas e aos gritos de guerra que só se preocupam em provocar o adversário, dá a impressão que a disputa está nas arquibancadas, para saber qual torcida tem os integrantes mais barulhentos e fortes.

A tese da extinção das torcidas organizadas é defendida por muitos, inclusive pelo renomado jurista Fernando Capez. Mas a simples proibição de nada adiantará. O poder público precisa fazer o mesmo que foi feito na Europa com os hooligans, identificar os vândalos e puni-los com a proibição de ir a estádios e a imputação de prestação de serviços a comunidade.