23.4.09

O Dilema do STF


Ontem, os brasileiros assistiram boquiabertos o bate-boca entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, membros da mais alta corte judicial do país. O ponto alto ocorreu com a afirmação do ministro Joaquim Barbosa de que Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), estava destruindo a imagem da Justiça brasileira. Seria chocante, se não fosse verdade...

Quando Montesquieu concebeu a teoria da separação dos poderes, o fez objetivando dinamizar a administração do Estado. No Brasil, durante muito tempo, a separação dos poderes não passava de alegoria, visto que o Executivo suprimia os demais. Com a redemocratização, os juízes finalmente tiveram liberdade para exercer suas funções, entretanto o mesmo não ocorreu com o STF, isto porque seus membros ainda hoje são indicados pelo Presidente da República, transformando o Supremo em uma corte política.

Poucos ministros do STF tiveram coragem de se desvincular do Executivo. Joaquim Barbosa foi um deles. O Supremo precisa de credibilidade e para conquistá-la, terá de esquecer de uma vez por todas as práticas do clientelismo.

Papel

21.4.09

A morte do Mártir


Há duzentos e vinte sete anos um brasileiro morreu, neste mesmo momento nasceu um mártir, um dos poucos verdadeiros heróis da história brasileira e sem dúvida o mais conhecido. Mas tanto tempo depois, faz mesmo sentido dedicar um feriado nacional à memória de Tiradentes?

Tiradentes era apenas apelido de Joaquim José da Silva Xavier, célebre arrancador de dentes do Brasil Colônia, mas não foi sua profissão que o imortalizou por mais medo que as pessoas pudessem ter de ir ao seu consultório... “José da Silva” é, ou deveria ser comemorado por ter sido um exemplo da luta do povo brasileiro contra a opressão de um governo corrupto comandado por uma superpotência que explorava legalmente nossas riquezas naturais.

A gota d’água para “José da Silva” e seus companheiros (a grande maioria de pessoas mais ricas e que ele) foi que Portugal instituiu um imposto chamado de “Quinto” pelo qual 20% de todo o ouro encontrado no país deveria ser entregue a nossa metrópole.

Sim, meus amigos, foi o peso no bolso que incomodou a sociedade e que deu origem a um dos mais famosos movimentos libertários brasileiros, a Inconfidência Mineira. Portugal venceu os revoltosos, os líderes do movimento foram expulsos do país, presos, torturados... Mas isso não bastou para “José da Silva”, sem a proteção da riqueza, ou de um título nobiliárquico, só restou a morte como forma de punição.

E hoje? Hoje comemoramos o que mesmo? Ah, a morte de Tiradentes... Oba, Tiradentes morreu, viva Portugal.

Eu penso diferente, deveríamos comemorar hoje a coragem de nosso povo. Mas que coragem? Vivemos em tempos em que o preço daquilo que compramos tem entre 40% e 60% de imposto. Mendigamos por diminuições esporádicas e corremos às lojas de carros e eletrodomésticos para nos darmos bem com a redução do IPI.

O que mais dói é que não sabemos nem pra onde vai esse dinheiro. Quase nenhum dos serviços públicos a exemplo da saúde, educação, segurança são considerado de qualidade. Ao mesmo tempo nossos líderes democráticos viajam pra Nova York e Paris com suas famílias sem tirar a mão do bolso. “Pobrezinhos passaram tanto desconforto pegando o avião da madrugada pra juntar esse dinheirinho”. “E quem é você pra falar alguma coisa? Isso é tudo regulado por lei, está dentro dos limites das normas!”.

É... Acho que cada ano que passa comemoramos cada vez mais a Morte de Tiradentes um dos tantos José da Silva morto por um regime injusto. Cada vez que nos calamos e que nos contentamos com as migalhas jogamos mais uma pá de cal na cova do dentista.

Herói, aceite meus humildes votos de agradecimento.

Justiniano

4.4.09

Papo Aberto - Efeito Estufa


O tema do aquecimento global parece ter tomado conta da comunidade de "O Rodapé" no Orkut, visto que tivemos discussões por demais calorosas.

Os participantes se dividiram em três correntes:

1) O efeito estufa é provocado pela ação antrópica, é um problema sério e o ser humano tem que tomar medidas drásticas e urgentes;

2) O efeito estufa é um fenômeno natural, mas que está sendo potencializado pelas ações humanas. O ser humano tem a obrigação de agir de forma menos nociva, mas não precisa radicalizar, por exemplo, não é preciso fechar todas as indústrias para que lançem menos gases, basta utilizar catalisadores;

3) O efeito estufa é um fenômeno natural. Não importa o que homem faça ele vai acontecer, pois o clima na Terra também depende de fatores extra-terrestres, como, por exemplo, as tempestades solares.